O Toyota Aygo X assume-se como o primeiro modelo para o segmento A a estrear uma motorização 100% híbrida, a acompanhar a renovação profunda de que foi alvo por fora para reforçar a sua jovialidade estética.
Herdeiro da solução motriz que equipa os Yaris Hybrid e Yaris Cross Hybrid, os seus 116 cv prometem um desempenho de primeira linha na cidade mantendo um consumo médio bem abaixo dos 4 litros/100 km.
Apresentado esta quinta-feira em Lisboa, resta agora saber se o aumento de preço que esta evolução tecnológica obrigou não afastará os potenciais compradores do citadino.
O Aquela Máquina tenta responder a essa questão no curto ensaio que realizou pelas ruas da capital ao volante da versão Envy, decorada com uma capota de lona para dias mais solarengos do que actualmente se vive no país.
Híbrido inédito no segmento A
Se o Toyota Aygo X era já um dos citadinos mais efectivos do momento, essas qualidades foram reforçadas por um visual mais marcante e uma motorização 100% híbrida que faz dele um dos mais poupados nos consumos.
O "mini" crossover deixa para trás o bloco de 1.0 litro com 72 cv e 93 Nm para equipar a mesma solução motriz dos actuais Yaris e Yaris Cross, sem esquecer a caixa automática multivariável.
É o mesmo motor atmosférico de 1.5 litros com 92 cv e 120 Nm aliado a um propulsor eléctrico de 59 kW (80 cv) e 141 Nm, e a uma bateria de 0,76 kWh para uns combinados 116 cv.
O ganho de 44 cv face ao antecessor permite acelerações dos zero aos 100 km/hora em 9,2 segundos, com o gasto médio de gasolina a cifrar-se nos 3,8 litros/100 km e as emissões de dióxido de carbono nos 87 g/km.
Face a este aumento de potência, a plataforma TNGA que partilha com os irmãos maiores recebeu barras estabilizadoras de maior diâmetro, molas e amortecedores mais firmes e discos de travão às quatro rodas.
Aos acabamentos "convencionais" que a gama comporta – Play, Pulse e Envy –, destaca-se um inédito GR Sport com ajustes da suspensão e da direcção ainda mais precisos.
Na segurança e apoio ao condutor, o Toyota Safety Sense inclui um sistema de pré-colisão mais evoluído, bem como assistentes de manutenção de faixa e de condução proactiva.
Renovação efectiva por fora
Para além da motorização, as principais novidades do renovado Toyota Aygo X Hybrid concentram-se à frente. O balanço dianteiro aumentou 7 cm para acomodar o novo motor, aumentando o comprimento para 3,78 metros.
Uma oportunidade para redesenhar toda a área frontal do citadino com novos faróis sobre um pára-choques mais afirmativo a enquadrar uma nova grelha; até o capô ganhou um novo visual, o que é invulgar numa renovação.
Inédito num híbrido da Toyota é a montagem longitudinal das duas baterias sob o banco traseiro, para não roubar espaço no habitáculo e no porta-bagagens de 231 litros, já que a distância entre se mantém nos 2,43 metros.
Além da alavanca para seleccionar as marchas e do botão para accionar o travão de estacionamento eléctrico, quase nada mudou no interior do Aygo X.
De série pode contar-se com a instrumentação de sete polegadas e o ecrã multimédia de nove (10,5 no GR Sport), câmara de marcha atrás e duas entradas USB-C; único senão é a omnipresença dos plásticos rijos, mesmo se os acabamentos sejam de uma qualidade irrepreensível.
Também criticável é o ambiente a bordo demasiado soturno para um citadino apontado a um público jovem, em total contraste com as cores ousadas escolhidas para decorar a carroçaria.
Silêncio… até acelerar!
Antes de levar o renovado Aygo X Hybrid para as ruas lisboetas, atenta-se primeiro na posição de condução, que poderia ser melhor ajustada caso o volante pudesse ser regulado em profundidade e não apenas em altura.
Se dentro da cidade tal "desconforto" até pode ser facilmente descartado, em viagens mais longas pode contribuir para um maior cansaço, obrigando às necessárias paragens para esticar as pernas.
Pormenores à parte, carrega-se no botão da ignição para o citadino arrancar em modo eléctrico, e de imediato se aprecia o razoável isolamento acústico nesta versão Envy com capota de lona.
Todavia, não é de fazer inveja como a palavra inglesa indica porque, após algumas centenas de metros, logo o motor de combustão se faz ouvir.
O ruído até é baixo numa condução normal mas logo se torna invasivo quando se pisa o acelerador a fundo, um "fenómeno" exacerbado quando o motor entra em rotações muito elevadas.
116 cv bem ágeis
Sem grandes oportunidades para essas acelerações face ao trânsito encontrado na zona ribeirinha de Lisboa, preferiu dar-se mais atenção à maneira como a suspensão trabalha para filtrar o piso muito desnivelado das ruas.
O chassis bem afinado oferece uma condução de bom nível, graças a uma dianteira bem amortecida mas com a traseira a mostrar-se demasiado dura, como acontece na larga maioria dos carros puramente urbanos.
Elogia-se também a agilidade que os 44 cv a mais lhe dão face à versão puramente térmica: os zero aos 100 km/hora fazem-se em 9,2 segundos quando antes eram 14,9 segundos, e a velocidade de ponta sobe aos 172 km/hora.
Trunfo nos consumos
Boa notícia são também os consumos, a confirmarem os 3,7 litros/100 km em cidade anunciados pela Toyota, mas que deverão chegar aos 4,5 litros numa condução em estrada ou auto-estrada, que este ensaio não permitiu concluir.
Para tal contribuem os quase 80% que se conseguem fazer em modo eléctrico, que também pode ser forçado caso haja carga na bateria, e pela travagem regenerativa quando se passa para B o selector de marchas.
Isto se não se quiser "abusar" do sistema de de travagem integrado no Toyota Safety Sense. O carro é "obrigado" a abrandar (mas não muito) quando a câmara detecta que o da frente faz o mesmo.
O renovado Toyota Aygo X Hybrid mostra-se um óptimo companheiro de viagem para o dia a dia na cidade e arredores.
Infelizmente, peca pelo significativo aumento de preço para um carro apontado ao segmento A.
O acabamento Play que dá entrada à gama começa nos 22.090 euros, subindo aos 24.290 euros no Pulse e aos 26.190 euros no Envy ensaiado; o GR Sport assume-se como topo de gama ao pedir 27.890 euros.
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